Justiça por Mariana Ferrer: “A culpa nunca é da vítima”

11 de novembro de 2020

Um levante feminista ocupou avenida em SP contra decisão que absolveu acusado de estuprar jovem; manifestante acompanhada de seus filhos lembrou que a educação antimachista é fundamental


“A culpa nunca é da vítima” gritavam os cartazes que ocuparam a Paulista, uma das mais importantes da cidade de São Paulo, no último domingo.

 

Milhares de mulheres, muitas delas acompanhadas de seus filhos e até companheiros, foram pedir justiça para Mariana Ferrer, que se tornou um símbolo da luta contra o machismo intrínseco nos casos de violência sexual.

O empresário André de Camargo Aranha, acusado de estuprar Mariana em 2018, em uma famosa praia de Santa Catarina, foi absolvido pela Justiça e revoltou a opinião pública. Para além da decisão judicial, o caso se tornou emblemático pela sessão marcada pelo show de horror do advogado que tentou culpar a vítima pelo crime.

De camisetas roxas – e até sua variação do lilás -, em alusão ao feminismo, passando pelo rosa e por camisetas com dizeres antimachistas, o público que participou trazia, claro, a mulher protagonizando seu lugar de direito e de fala. Mas havia homens também apoiando a causa.

Homens também participaram da manifestação pelo fim do machismo estrutural e da cultura do estupro no país.

A jornalista Gabriela Toledo estava acompanhada dos seus filhos. “Eu acho que para a gente ter uma geração não machista, que, de fato, respeite as mulheres, que nos enxerguem de igual, isso tem que começar desde sempre, é um trabalho de base, de humanidade”, declarou. Um dos filhos de Gabriela segurava um cartaz: “Queremos viver num mundo com direitos iguais para meninas e meninos”.

Muitos dos cartazes criticavam a lógica usada pelo advogado de André para humilhar Mari: a de que a roupa ou comportamento dela teriam sido as causas do estupro. “A culpa nunca é da vítima”, gritavam em uníssono.

“Essa indignação começou nas redes sociais mas a gente precisava expressar ela aqui nas ruas. Contra essa justiça que na verdade é uma injustiça, contra a cultura do estupro e contra esse patriarcado, esse machismo que existe em nossa sociedade”, declarou uma das organizadoras.