Gratidão e impotência: sentimentos de quem trabalha no resgate de animais no Pantanal

21 de dezembro de 2020

Gabriel Schlickmann | Projeto Solos

Médicos veterinários da AMPARA Animal mostram a difícil rotina de salvamento de animais em meio ao fogo que atingiu o bioma: "salvar um animal é uma conquista que não tem preço"


Bentinha foi encontrada pelos médicos veterinários da AMPARA Animal em meio à morte: era uma das únicas queixadas a sobreviver em um ambiente destruído pelo fogo. Levada até o local de atendimento montado na Pousada Mutum, após alguns dias sendo alimentada e cuidada, Bentinha foi devolvida ao seu habitat.

Essa é uma das muitas histórias testemunhadas pela equipe do Projeto SOLOS, que acompanhou in loco o árduo trabalho dos médicos veterinários da AMPARA Animal no resgate de animais afetados pelas queimadas no Pantanal.

Foto: Gabriel Schlickmann | Projeto Solos

“Acho que mesmo quem vive aqui nunca viveu uma situação de perda em massa de agrupamentos de animais. É uma situação tanto de poder ajudar e minimizar a dor, quanto de impotência como ser humano”, afirma o médico veterinário Diogo Baldin.

A importância da alimentação foi muito destacada pela equipe. Isso porque, para além do perigo do fogo no corpo dos animais, a severa seca do bioma provocada pelos incêndios torna escasso o acesso à água e frutas.

“Não é só a questão da queimadura em si, mas é a questão do pós. Tem animais que ficam intoxicados com a fumaça, outros animais tem reação a cinzas que podem cair na água e o que a gente também encontra é a falta de alimento”, explica o médico veterinário José Roberto Filho ao mostrar o processo de recuperação de uma iguana, que pode ser devolvida ao ambiente 10 dias depois de ser encontrada muito fraca.

Foto Gabriel Schlickmann | Projeto Solos

“Cada indivíduo tem uma extrema importância. É gratificante para toda a equipe [quando salvamos um animal] e é uma conquista que não tem preço”, conclui Filho.